é branca
e de enquando quer
berra
ao lado
uma àrvore frondosa
(sempre quis dizer frondosa)
é uma coisa doida isso
dela ruminar
(é como engolir o mundo)
às vezes a vaca olha com olhos de vaca
falsamente tristes
é branca
autosuficiente
cheia de carnes
homens nem servem pra bife
rumina a vaca
e de enquando quer
berra
ao lado
uma àrvore frondosa
(sempre quis dizer frondosa)
é uma coisa doida isso
dela ruminar
(é como engolir o mundo)
às vezes a vaca olha com olhos de vaca
falsamente tristes
é branca
autosuficiente
cheia de carnes
homens nem servem pra bife
rumina a vaca

1 Comentários:
Eu também crio vacas nelores. E fui criado em curral de vacaria de leite. Sou bom pra batizar essas santas. O nome da tua vaca é RosA Branca. Beijos. JIVM
RURAL
Para Ivaldo Vieira de Melo
"No teu cavalo peito nu cabelo ao vento"
Alceu Valença
Eu vou pra roça, ajudar o dia a amanhecer,
chamar os bezerros pelos nomes de suas mães
e ver a vacaria apojar
e sentir a chuva de leite em meus olhos.
Eu vou pra roça, lá Manoel é Mané
e a única máscara são os calos de suas mãos:
– mãos encardidas de leite.
Eu vou pra roça, começar o dia com um sorriso.
Meu cavalo e eu – Centauro do Sertão –
sairemos campo afora
apascentando a boiada, o milharal, o açude.
E os cajus haverão de destravar as fronteiras
e ouvirei o canto das patativas se estender até Assaré
e me entenderei com as beldroegas
e compreenderei a labuta das formigas.
Das quedas, trarei a lição do levantar
e seguirei pela vida ao lado de meu irmão.
Eu vou pra roça, lá o documento é a palavra.
JOSÉ INÁCIO VIEIRA DE MELO
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